Diálogo e verdade...
Quero ressaltar a expressão “ao lado”. Ao lado não quer dizer acima ou abaixo. Dessa forma percebo que o diálogo é um instrumento divino pois nos coloca como “iguais” diante das nossas diferenças. Por mais que eu seja distinto do outro, no diálogo nossas vidas têm o mesmo peso, pois ficam lado a lado.
Fiquei pensando quantas vezes os meus diálogos tem se resumido nas defesas das minhas idéias. Quando é que deixo a vida do outro ao lado da minha para que brote a verdade? Será que não penso que minhas idéias são a própria verdade?
Continuo refletindo...
Deus é muito bom e perfeito. Se alguém fosse capaz de chegar à verdade sem depender do próximo certamente se afundaria em seu próprio orgulho. Em muitos momentos me vejo tendendo a isso. Os meus diálogos se transformam numa tentativa de convencer o outro de que estou certo e quando percebendo que não estou certo, acabo me dando por vencido e não sei aproveitar dessa situação.
Transformo o momento de diálogo num ringue onde luto pra vencer a qualquer custo. Para tanto, acabo usando de palavras inadequadas ou deturpo o contexto em que elas serviriam tão bem. Esqueço que o que me sacia não é a vitória das minhas idéias sobre as idéias do outro. O que me sacia de forma plena é simplesmente a verdade. Ganhar ou perder não é o objetivo do diálogo.
Não me sacio, também, quando a minha opinião é aceita pelo outro. Me sacio quando, pelo diálogo, o meu íntimo é compreendido e sentido pelo outro.
Não é fácil sofrer a renúncia da minha vontade de ser dono da verdade. Não é fácil me calar diante da vida do outro e ser atingido por ela. Não é fácil me envolver com a vida do outro a ponto de acreditar que ali mora uma verdade.Mas vou caminhando na tentativa de ser melhor...
Tem uma pergunta que insiste em não se calar: “Por onde devo começar a amar?”. Que tal o diálogo? Que tal começar a permitir que o outro coloque sua vida ao lado da minha? Deixar com que o outro fale de si mesmo e mostre os seus motivos já é amor... E o amor é fonte da verdade...